Skyzoophrenya
Home Skyzophrenya FAQ Pictures Files Links Webmail Admin
Blog
Principal
Busca

Anterior
Escova macia
Principal
Main
Seguinte
Portugália
Passado 21:56 13/12/2003 (Reflexão) por Ranaur
domingo, 14/12/2003 às 23:38

O passado tem um gosto estranho. Um cheiro estranho. Cheiro de um plástico empoeirado, daqueles que não se faz mais. Não se faz mais um passado daqueles. Não se faz nada mais daquilo. Mas, o que eu gardo comigo?

As peças de eletrônica que eu herdei roubadas de meu pai. Resistores, capacitores, indutores. Um mar de coisinhas. A minha memória se lembra de como eu guardava, arrumava, ordenava, classificava. Para que? Para se eu precisasse um dia? Se eu precisar, eu vou na República do Líbano e compro. Ou não? Se eu precisar eu nem sei se estará ainda funcionando. ALgumas coisas tem sua estimação. Existem projetos montados. Talvez até funcione, se eu colocar bateria, ou encaixar na tomada. Fontes, Leds, dados. Um mundinho de coisas. E o adaptador de blue beep? O adaptador de joystick de TRS-80 para PC que eu nunca fiz? Todas as coisas que eu guardo com tanto zelo para quando eu tiver um tempo um dia.

QUando virá esse dia? QUando eu precisar eu vou ter essas coisas? Vou saber onde está? OU vou sair para comprar, o que é muito mais simples? De que me terá servido guardar tudo isso?

EU lerei todos aqueles diskettes algum dia? O que eu fiz neles, me representa algo? Me representa o que? O momento que eu passei fazendo eles, escrevendo o que eles contém é um momento que contruiu uma parte de mim, mas e agora? Seria desrespeito ãquele momento eu jogar fora, dar para alguém que precise? QUem precisa das minhas lembranças além de eu mesmo? Não é afinal, tudo que eu tenho?

Jogar fora o passado é envelhecer, amadurecer, aceitar que aqulo é passado e que existe um futuro à frente que é muito mais promissor, pois existem coisas mais interessantes que isso. O passado construiu o que eu sei, o que eu sou e só.Mais nada preciso deles. Essas coisas, elos perdidos no nada, ocupando meu espaço-tempo.

QUal é o prazer que elas me trazem? Qual é a felicidade que elas me causam? A nostalgia? Rever os bons(?) momentos que eu passei a volta deles? O passado volta para o presente? Quando voltamos ao passado, ele vem sempre reinterpretado. Tire uma foto e jogue o resto fora. Fotos não ocupam espaço.

De que serve a nostalgia se ela não pode ser compartilhada. E quem entenderia minha letra, escrita em frascos de remédio cheios de baratas eletrônicas. E o que significa aquilo tudo. Armários de caixas de fósforo, cada um com sua etiqueta, dizendo o que tem. Tem?

Porque guardá-las? QUal o significado oculdo delas. Porque algumas coisas se foram e outras ficaram? Tinta seca, ferro enferrujado. Lembranças de um passado distante que não tem mais função. Mas ele no presente tem sua função. Será que eu me liberto jogando tudo fora? Será que eu me liberto?

Me arrependo do tempo que passei na frente dessas coisas. Desperdicei tempo que poderia ... poderia ... ter feito o que? Tudo que eu queria? E o que eu queria era, naquele momento estar com aquelas coisas. Hoje eu quero que eu estivesse fazendo outras coisas quaisquer, e cá estou escrevendo sobre elas, gastando o presente pelo passado. Elas cobrando seu imposto.

Onde guardar tantas lembranças? Para que me serve guardar lembranças que não fazem sentido a mais ninguém? Deixar com minha mãe. Lembrança com lembrança? Ocupando espaço para um futuro inevitável.

Olhe o futuro Gustavo! Pois o futuro é tudo o que importa.

Comentários
copyright (c) 2003 ranaur.net