![]() |
|
|||||||||||
|
|
segunda-feira, 16/06/2003 às 15:27
Eu ACHEI! Eu estava na Saraiva tentando comprar Ulysses, de James Joyce. Estava olhando nos pockets quando eu li rápidamente "las Ada". Parei. Voltei os olhos lentamente. Reli, temeroso. Douglas. Meu coração gelou. Estava no início da pratileira. Na letra A. Eu não reconhecia a lombada do livro. Poderia ser? Não! Ele está morto! dead! Deceased! He is no more! Não pode ser! Tomei coragem e li com calma o título: "The Salmon of Doubt" É um título digno Dele. Respirei fundo e li o autor: Douglas Adam. Era o que eu temia. MAS COMO??? COMO??? Eu conheço todos os livros dele ... ou não? Estarei ficando louco? Ele ter um livro que eu nunca ouvi falar está num dos mais altos níveis de improbabilidade possíveis! Será que tem alguma nave por perto? Quem sabe eu possa pegar uma carona ... Primeiro eu tenho que checar se a realidade a minha volta está consistente ... quem é aquele homem na outra prateleira? O Silvio Santos??? Bem ... ele ainda está cafona, logo a realidade ainda está consistente. Portanto, não existe outra opção além de acreditar que a realidade se mantém consistente e rejeitar a hipótese inicial. Num impulso peguei o livro em minhas mãos. Abri e li as letras que estavam escritas. Elas tremiam. Não as letras, seu idiota, as minhas mãos. E as letras, por tabela, é claro. Respirei fundo e tentei entender ... um livro póstumo! Com as memórias! As continuações da saga do mochileiro, Dirk Gently, entre outras coisas ... não pode ser! Por um instante passou pela minha cabeça ... pode ser um truque. Eles estarão aqui em breve, invadirão a Saraiva Megastore do centro jogando gás paralisante e levarão o livro de mim. Lembrando Jean Clude van Dame, em qualquer filme que ele tenha feito na vida, pois em todos tem essa cena, eu gritei: - NÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO Pulei a pratileira e saí correndo para a fila. dei uma cotuvelada numa velhinha que se aproximou, e fiquei rangendo os dentes para todos que se aproximavam de mim, como um porco espinho raivoso. Chegando a minha vez falei para a caixa: - É MEU. Todo meu. Meu preccccccciossssssoooooo ... Meus olhos estavam esbugalhados, minha pele esverdeada. Mas ele era meu. Só meu. Paguei com um vale presente que tinha ganhado por ser cliente prefetrencial e interei o resto no cartão de crédito. É para essas emergências que serve o cartão de crédito. Uma vez pago, saí correndo pela porta gritando pela rua do Ouvidor. - E MEU! TODO MEU! Vocês agora sentirão a minha ira! Louvem e venerem seu novo líder. HUUAUAUAUAUAUAuauauauauaua ... E assim voltei para o trabalho. Comentários
|
|||||||||||
|
|
| copyright (c) 2003 ranaur.net |