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terça-feira, 10/06/2003 às 18:31
Desculpem o papo nerd. Só quem estudou um pouco de economia vai se interessar por esse post. Depois não diga que eu não avisei. Me lembro das minhas primeiras aulas de Economia, sábado pela manhã, com uma professora que vinha de meia calça, fedendo à boite, falar que mais e vezes é tudo igual. Me lembro também, lá pelos idos de 98, que ela afirmava que a paridade com o dólar da Argentina era a melhor coisa do mundo, vejam vocês, os Argentinos estão com um padrão de vida ótimo enquanto a gente esta nesse poço sem fundo do Brasil. Bem, o resto vocês sabem bem o que aconteceu. Naquela época, eu nada sabia de economia, mas, cá com minha infantil ingenuidade pensei: Tirando o preconceito anti-argentino, se eu tivesse que guardar uma nota de 100 dólares ou 100 pesos por 30 anos eu escolheria guardar a de 100 dólares. Em resumo, eu confiava mais nos EUA, como economia, do que na Argentina. Eu e o resto do planeta. Agora, no MBA, os professores bradam aos 4 ventos que a melhor coisa do mundo é o controle de inflação através do controle da taxa de juros. Aceito todos os argumentos, tal como aceitava os da minha boêmia professora. Um dia, parei e pensei com meus borbotões um problema nesse modelo. Não sei se é original, certamente não é. Tem sempre alguém em Havard pensando em tudo antes da gente. Hoje eu comentei com o pessoal do trabalho e, no mínimo, ninguém discordou ou apresentou um argumento contra. A idéia por trás do controle de juros é que, quanto maior forem os juros, mais interessante é você deixar o seu dinheiro com o governo, comprando os títulos, ao invés de usá-lo para comprar bens, que aumentaria a demanda e, consequentemente, aumentariam os preços gerando inflação. Vamos simplificar horrores o modelo macroeconômico e imaginar o seguinte: você tem 100 dinheiros (se eu tivesse um país a moeda se chamaria dinheiros). Você pode gastar esses 100 dinheiros em bens de consumo(digamos, cachaça), o que iria aumentar o preço desses bens um pouquinho, ou emprestar esse dinheiro pro governo que, ano que vem me dará 126,50. Supondo que, eu prefira fazer o dinehiro render, ano que vem eu terei mais dinheiro. Se ano que vem eu quizer torrar tudo em cachaça eu vou aumentar o preço da cachaça ainda mais do que se eu tivesse comprado no primeiro ano! Ok, mesmo que a inflação tivesse aumentado o preço da cachaça, se eu tive um ganho real, eu posso comprar mais cachaça aumentando ainda mais o preço. É um raciocínio simplista, mas com dois neurônios, você pode entender que com esse exemplo bobo, o que eu estou sugerindo é que, emitindo títulos, o governo está, na verdade, emitindo "moeda" no futuro, pois cedo ou tarde, você vai querer retirar o seu dinheiro, parando de rolar a dívida. Bem ... esse é o problema. Alguém tem alguma solução? Tenho algumas idéias ... mas isso fica para um outro post Comentários
Isso é coisa para outro post ... o texto seria bastante árido. Pense nas suas. Eu estava pensando em fazer um blog bobo e um blog cult. O primeiro mais público que o segundo. Depende da reação da galera. De qualquer forma ter dois blog não resolve o problema da inflação. A solução deve ser algu diferente ... Por: Ranaur às junho 12, 2003 09:13 AMEsse tipo de papo é que me faz lembrar porque eu cheguei a entrar na faculdade de economia. E quase me dá vontade de voltar. O que eu entendo da história é que aumentar a taxa de juros não é acabar com a inflação. É só adiar (e acumular). Agora, isso é um assunto complexo pacas pra um leigo mongol como eu. Por isso que eu acho que você deveria colocar logo o post com as suas idéias sobre o assunto. Por: Daniell às junho 12, 2003 11:23 AMVocê estudou economia na faculdade, eu não. Na verdade, eu posso estar falando uma enorme asneira. Ou não. Esse é um assunto interessante. Afinal, está valendo o prêmio Nobel de economia. Filosóficamente falando, se o governo "der" dinheiro para as pessoas ele vai aumentar a inflação. Ou seja, o "objetivo" de controlar a inflação seria retirar o dinheiro da população. É uma corrida maluca. Se você pensar em riqueza "relativa" ou seja quantos porcento do dinheiro(spot, ou "futuro") do país você tem, não improta inflação. Mas deixa pra lá, esse assunto está virando viagem. E eu não estou bebendo cerveja. Quanto à economia, é bastante simples: os economistas pegam uns conceitos de matemática (exponencial) e inventam um nome bonitinho (juros). Aí você mistura tudo e sai algo do gênero: o impacto do preço spot dos ativos mais líquidos que compõe o índice Ibovespa num índice composto pela taxa de câmbio futuro indexada pelo IGP-M é praticamente nulo numa economia de mercado aberto, e num marcado com pouca arbitragem. Isso faz sentido se você ler a asneira que eu falei bêbado. Tenho dito. Por: Ranaur às junho 12, 2003 02:53 PMEu acho que tem uma premissa básica que está sendo esquecida: o mundo não é composto apenas de uma país com um governo e um mercado. Juros altos não atraem principalmente o investidor local e sim o investidor estrangeiro. Além disso a contrapartida ao investimento em títulos do governo com determinada taxa de juros não é a compra de bens mas o investimento "sólido". Ou seja o investimento em implantação de industrias, serviço ou outro tipo de investim,ento com maior dificuldade de "locomoção e portanto mais interssante ao país!. |
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